AA.VV.

Brasiliana n.205, Anno XLV - 2025

“Latino-americanistas a duas bandas. Um exercício de duplas transatlânticas”
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stato: Disponibile
Argomento: Letteratura
Collana: Letterature d'America
anno: 2025
, pagine: 186

ISSN: 1125-1743
15,00 €
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LILIA MORITZ SCHWARCZ, Duas e tantas bandas transatlânticas. Naturalistas e seus guias
CHIARA VANGELISTA, Le guide e il viaggiatore. Mestieri e relazioni sociali in Jean-Baptiste Debret e Hercule Florence (Brasile, inizio Ottocento)
SILVIANO SANTIAGO, Realismo versus Naturalismo, Machado de Assis e Eça de Queirós: a invenção da moderna narrativa introspectiva em português
GIORGIO DE MARCHIS, Literatura brasileira, e a última aula? A lição de Casa de Pensão
EDUARDO F. COUTINHO, Uma poética da indagação e o desafio de traduzir Guimarães Rosa
MARIA CATERINA PINCHERLE, Outras vozes do sertão. Considerações sobre Vidas Secas
DAVIDSON DINIZ, A descida aos infernos em Clarice Lispector
LUIGIA DE CRESCENZO, “O corpo e suas cruéis exigências”: libertação e “rebaixamento” na escrita de Clarice Lispector


COLLABORATORI

LILIA MORITZ SCHWARCZ è antropologa, storica e curatrice; Professoressa Senior presso il Dipartimento di Antropologia dell'Universidade de São Paulo (USP), Visiting Professor e Global Scholar presso la Princeton University, Dottore honoris causa presso l'Universidad de Buenos Aires, ha insegnato a Leida, Oxford, École des Hautes Études, Columbia e Brown. Ha otte-nuto una borsa di studio dalla Fondazione Guggenheim e dalla Fondazione Humboldt. È autrice di una serie di libri sull'argo-mento, tra cui O Espetáculo das raças (1989), O sol do Brasil (2008), A longa viagem da biblioteca dos reis (2017), Imagens da branquitude (2024).

CHIARA VANGELISTA, storica latino-americanista, si occupa delle relazioni etniche e culturali in Brasile e nelle aree della sua fron-tiera occidentale, dal XVIII secolo all’inizio del XX. I libri più recenti: Scatti sugli indios. Ricerche di storia visiva (Roma 2018); Cartografia migrante. Hercule Florence da Nizza al Brasile, 1804-1879 (Ogliastro Cilento 2022, tradotto in portoghese e in france-se: 2024 e 2025). Con Chiara Pagnotta ha pubblicato Entre cuatro continentes. América Latina y las migraciones, siglos XIX-XXI (Roma 2020). Formatasi all’Università degli Studi di Torino, è attualmente ordinaria a riposo di Storia e Istituzioni delle Americhe presso l’Università degli Studi di Genova.

SILVIANO SANTIAGO è nato a Formiga (MG) nel 1936. Ha conse-guito il Dottorato in Letteratura francese alla Sorbona (1968). È stato professore presso università nordamericane e presso la Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Attualmente è Professore Emerito presso l’Universidade Federal Fluminense (UFF). È autore di romanzi, racconti, poesie e saggi. Tra i suoi libri si segnalano Em liberdade (1981), Stella Manhattan (1985), Machado (2016) e Genealogia da ferocidade (2017). Ha curato l'antologia Intérpretes do Brasil (3 volumi in carta bibbia) e l’edizione della corrispondenza tra Carlos Drummond e Mário de Andrade. È vincitore di premi come il Jabuti e l'Oceanos. Per l'insieme della sua opera, ha ricevuto il premio Machado de Assis dall'Academia Brasileira de Letras e il José Donoso dall'Universidad de Chile. È vincitore inoltre del Premio Camões 2022.

GIORGIO DE MARCHIS è Professore Ordinario di Letterature por-toghese, brasiliana e di espressione lusofona presso il Dipartimento di Lingue, Letterature e Culture Straniere dell’Università Roma Tre, dove coordina la Cattedra Camões, I.P. “José Saramago” e la Cattedra “Agostinho Neto”. Ha pub-blicato articoli, saggi e monografie su autori, opere e movimenti delle letterature brasiliana e portoghese.

EDUARDO F. COUTINHO è Professore Emerito presso l’Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Ricercatore 1A del Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Dottore in Letteratura Comparata (UC–Berkeley). Visiting Professor presso università in Brasile e all'e-stero (Cuba, Argentina, Colombia e Germania) e Distinguished Visiting Professor presso la University of Illinois (USA). È stato membro fondatore e presidente dell'ABRALIC e vicepresidente dell'Associazione Internazionale di Letteratura Comparata (AILC). Ha pubblicato 32 libri come autore e/o curatore e nume-rosi saggi su riviste specializzate. Tra le sue pubblicazioni si segnalano The ‘Synthesis’ Novel in Latin America, Em busca da terceira margem, Literatura Comparada na América Latina, Literatura Comparada: reflexões, Grande sertão: veredas, Rompendo barreiras: ensaios, Brazilian Literature as World Literature e Diálogos interculturais.

MARIA CATERINA PINCHERLE è Professoressa Associata e insegna Letterature portoghese e brasiliana alla Sapienza dal 2013. I suoi studi, pubblicati in Italia e all’estero, sono stati inizialmente dedi-cati al modernismo brasiliano ma spaziano fra autori portoghesi e brasiliani dal Barocco ai giorni nostri: tra gli altri, Pe. A. Vieira, J. de Alencar, M. de Andrade, O. de Andrade, J. Guimarães Rosa,
C. Lispector, H. de Campos, J. Saramago, A. Lobo Antunes. Si occupa attualmente di letteratura brasiliana del Nuovo Millennio, con diverse pubblicazioni e un Progetto di Ricerca di Ateneo. Ha anche indagato su aspetti della cultura brasiliana non direttamen-te legati alla letteratura, quali il cinema, la fotografia, la musica e la capoeira. Ha ideato e cura un'antologia aperta dal titolo Disastri e speranze, che raccoglie contributi di colleghe e colleghi, ciascu-no per la propria area di studi.

DAVIDSON DINIZ è Ricercatore e insegna Teoria della Letteratura e Letteratura Comparata presso la Faculdade de Letras dell'Universidade Federal de Minas Gerais (Brasile). Svolge ricer-che su temi riguardanti la storia del libro, gli scambi letterari e la storia intellettuale tra gli ambiti letterari argentino e brasiliano, nonché le relazioni tra narrativa, modernità e storiografia; attual-mente studia le reinvenzioni della catabasi nella letteratura della modernità avanzata e della tarda modernità. È autore di articoli accademici e capitoli di libri pubblicati in Brasile e in Argentina, nonché del libro di critica letteraria Nostalgia formal (Relicário, 2025) e del libro di poesia Manual prático para a pista de dança (Urutau, 2025). Ha tradotto in portoghese, tra le altre, le opere poetiche di Alejandra Pizarnik (Relicário), Gabriela Mistral (Pinard) e la narrativa di Roberto Arlt (Relicário).

LUIGIA DE CRESCENZO è Ricercatrice di Letterature portoghese, brasiliana e di espressione lusofona presso il Dipartimento di Lingue, Letterature e Culture Straniere dell’Università degli Studi Roma Tre. Si occupa principalmente di letteratura contem-poranea in ambito portoghese e brasiliano, con particolare riferi-mento alla letteratura di donne e agli studi di genere. È autrice di vari saggi e articoli scientifici, tra cui le monografie: Clarice Lispector. Corpi disciplinati, corpi (dis)obbedienti (Roma, 2019) e «Triste cosa è esser donna». La femminilità degenerata secondo Abel Botelho (Alessandria, 2024).


RESUMOS

LILIA MORITZ SCHWARCZ, Duas e tantas bandas transatlânticas. Naturalistas e seus guias.
O artigo apresenta uma visão decolonial acerca do gênero literá-rio criado pelos viajantes naturalistas que estiveram no Brasil oitocentista. Mostra não apenas a violência dessas operações, que implicaram a constituição de grandes coleções, hoje depositadas em instituições europeias, como o silêncio que produziram acerca dos guias que acompanhavam os cientistas: verdadeiros sábios e especialistas, mas cujos conhecimentos aparecem apenas nas “laterais” desses livros. O texto presta especial atenção às ima-gens criadas pelos desenhadores incluídos nesses grupos, aten-tando para “detalhes” que mostram a presença desses integrantes nativos na própria estrutura destas expedições.

CHIARA VANGELISTA, Os guias e o viajante. Ofícios e relações sociais em Jean-Baptiste Debret e Hercule Florence (Brasil, início do século XIX).
Os guias e seus ajudantes, figuras essenciais nas expedições cien-tíficas, são aqui analisados por meio dos textos e das imagens pro-duzidas por dois importantes observadores europeus no Brasil da primeira metade do século XIX, Jean-Baptiste Debret e Hercule Florence, que se mostraram particularmente atentos aos trabalha-dores da floresta e seus ofícios. Examina-se aqui a descrição e a representação visual dos guias e dos viajantes; no caso de Florence, observa-se também o cotidiano e captam-se detalhes preciosos sobre as diferentes funções desempenhadas. Por fim, a comparação entre o manuscrito de Florence e a tradução feita pelo visconde de Taunay sugere novas hipóteses sobre a distinta percepção social e cultural – europeia e brasileira – das classes subalternas no Brasil.

SILVIANO SANTIAGO, Realismo versus Naturalismo, Machado de Assis e Eça de Queirós: a invenção da moderna narrativa introspec-tiva em português.
Trata-se de um fragmento de work in progress, que se apresenta como ensaio. A intenção global é a de submeter os últimos cinco romances de Machado de Assis (1881-1908) a uma análise que os distingue do modelo canônico flaubertiano como representação para o triângulo sexual e amoroso. O escritor brasileiro libera a imaginação por se associar ao romance Fanny (1858), de Ernest Feydeau, considerado por Sainte-Beuve como obra literária supe-rior a Madame Bovary. Liberado do cânone ocidental, Machado inventa em língua portuguesa a moderna narrativa introspectiva em plena efervescência do Naturalismo francês e lusitano. Não será, pois, gratuita a escolha, no triângulo, do amante. Ele será o nar-rador/protagonista das Memórias póstumas de Brás Cubas (1881). Ressaltam-se no ensaio (1) o upgrade intelectual que o amante recebe na sua caracterização ficcional, (2) observações originais sobre a originalidade do romance machadiano e (3) importantes considerações que associam o escritor nascido no morro do Livramento à crítica persuasiva do Brasil Imperial, que ainda pre-serva o sistema escravagista.

GIORGIO DE MARCHIS, Literatura brasileira, e a última aula? A lição de Casa de Pensão.
O artigo apresenta uma reflexão sobre o ensino da literatura bra-sileira no estrangeiro. A partir de interpretações críticas da rela-ção entre modelos centrais e escritores periféricos, o autor inter-preta o romance Casa de Pensão, de Aluísio Azevedo, como um possível exemplo de imitação criativa do queirosiano O primo Basílio.

EDUARDO F. COUTINHO, Uma poética da indagação e o desafio de traduzir Guimarães Rosa.
Avesso a tudo o que se apresenta cristalizado pelo hábito e insti-tuído como verdade inquestionável, Guimarães Rosa empreende em toda a sua obra verdadeira cruzada em prol da reflexão, desencadeando, através da linguagem, um forte processo de des-construção. Esta reflexão é uma das principais marcas de seu fazer artístico e um dos aspectos mais responsáveis pela unicida-de de seu traço. Neste ensaio, estudamos algumas obras do autor em que a linguagem e a estrutura narrativa desempenham um papel central, revelando o seu projeto ao mesmo tempo estético e político e a sua concepção da tradução literária como recriação.

MARIA CATERINA PINCHERLE, Outras vozes do sertão. Considerações sobre Vidas Secas.
Graças a um discurso indireto livre balizado de termos abstratos e concisos, impossíveis no pensamento e na própria fala dos personagens de Vidas secas, Graciliano Ramos consegue dar-lhes uma enorme dignidade ao retratar seu mundo interior, imensa-mente rico e vário apesar de não expressamente comunicado. Se a fala de Riobaldo do Grande Sertão rosiano excede sempre a lín-gua da norma, para dar conta de uma realidade interior profun-díssima, a das vidas secas de Graciliano é descrita pelo autor como extremamente reduzida, mas de fato realizada por intermé-dio de recursos elegantes de sínteses lapidárias, aplicadas aos per-sonagens analfabetos como dádiva para ilustrar sua riqueza inte-rior, tão ampla e complexa quanto a do jagunço letrado de Grande Sertão.

DAVIDSON DINIZ, A descida aos infernos em Clarice Lispector. Este artigo propõe uma reflexão acerca da poética da catábase (gênero da descida ao reino ínfero dos mortos) na obra da escri-tora Clarice Lispector. Para isso, cotejamos o romance Perto do coração selvagem (1943), o primeiro publicado da autora, e o romance A paixão segundo G. H. (1964), eventualmente conside-rando tal questão também nos romances Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (1969) e Água Viva (1973). Procuramos, com isso, entender como a catábase lispectoriana abandona as carac-terísticas clássicas e medievais, determinadas por uma cosmovi-são transcendentalista, isto é, dissociando o reino dos mortos do mundo dos vivos, para se reelaborar mediante uma perspectiva de mundividência imanentista crítica, em suma, inscrevendo, em perspectiva terrena, a experiência catabática a partir dos proces-sos de legitimação típicos da modernidade.

LUIGIA DE CRESCENZO, "O corpo e suas cruéis exigências": liberta-ção e “rebaixamento” na escrita de Clarice Lispector.
O estudo propõe uma reflexão sobre o engajamento manifestado por Clarice Lispector nas obras publicadas depois de A paixão segundo G. H. (1964), especialmente Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres (1969) e A via crucis do corpo (1974). O objetivo da análise será, nomeadamente, pôr em relevo a mudança na escrita da autora, que da dimensão metafísico-transcendental dir-se-ia configurar uma “descida” à materialidade do corpo, mar-cando uma ruptura tanto com a ordem moral e repressiva da dita-dura militar quanto com a forma literária anterior e indicando um novo sentido para a experiência existencial iniciada em A paixão segundo G. H.


SUMMARIES

LILIA MORITZ SCHWARCZ, Two Atlantic Sides and More: Naturalist Travelers and Their Guides.
The essay offers a decolonial reading of the literary genre created by naturalist travelers who visited Brazil in the nineteenth centu-ry. This essay not only underlines the violence inherent in these initiatives, which led to the formation of vast collections still housed in European institutions, but also addresses the silence surrounding the tour guides who accompanied the travelers and who were true and learned specialists. Their knowledge, howev-er, appeared only at the “margins” of the travelers’ narratives. The essay is particularly interested in the images produced by the artists who joined these travelers, taking heed of the “details” that signal the presence of indigenous members within the very frame-work of these expeditions

CHIARA VANGELISTA, Tour Guides and the Traveler: Crafts and Social Relations in Jean-Baptiste Debret and Hercule Florence (Brazil, Early Nineteenth Century).
Tour guides and their assistants – essential figures in scientific expeditions – are analyzed in this essay through texts and images authored by two notable European observers in Brazil in the first half of the nineteenth century: Jean-Baptiste Debret and Hercule Florence. The two of them paid close attention to forest workers and their crafts. This essay explores the literary and visual repre-sentation of the guides and travelers, highlighting, in Florence’s case, his vivid sketches of daily life and the precious details of their crafts. Lastly, the comparison between Florence’s manu-script and the translation authored by the Viscount of Taunay suggests new insights into the heterogeneous social and cultural perception (both European and Portuguese) of Brazil’s subordi-nate classes.

SILVIANO SANTIAGO, Realism versus Naturalism, Machado de Assis and Eça de Queirós: The Invention of Modern Introspective Fiction in Portuguese.
This essay is a section of a ‘work in progress’. It aims at analyzing Machado de Assis’s (1881-1908) last five novels by setting them apart from the canonic Flaubertian model, usually seen as a par-adigm of the sex-love triangle. The Brazilian author frees his imagination by following in the footsteps of Ernest Feydeau’s novel, Fanny (1858), considered by Saint-Beuve as superior to Madame Bovary. Relieved of the Western canon, Machado gives birth to the modern introspective fiction in Portuguese during the golden age of both French and Lusitanian Naturalism. It is no coincidence, then, that the choice falls on the lover within this tri-angle: he will be the narrator/protagonist of Memórias póstumas de Brás Cubas (1881). This essay foregrounds: 1) the intellectual upgrade that the lover receives in de Assis’s romantic characteri-zation; 2) new insights into the originality of de Assis’s novel and
3) previously unpublished observations that link the writer (born on the Morro do Livramento) to the sharp critique of imperial Brazil, still characterized by a slave-based system.

GIORGIO DE MARCHIS, Brazilian Literature’s Last Lesson? Casa de Pensão’s case.
This essay proposes a reflection on teaching Brazilian literature abroad. Starting with the critical interpretations of the relation-ship between central models and peripheral writers, the author analyzes Aluísio Azevedo’s Casa de Pensão as a relevant case of the creative imitation of Eça de Queirós’s O primo Basílio.

EDUARDO F. COUTINHO, A Poetics of Investigation – The Challenge of Translating Guimarães Rosa.
Opposed to everything that appears as crystallized by habit and that presents itself as absolute truth, throughout his oeuvre Guimarães Rosa has engaged in an authentic crusade in support of reflection, setting off, through language, an intense decon-struction process. Such reflection constitutes one of his artistic production’s basic characteristics as well as one of the most sig-nificant aspects of his unique style. This essay explores some of his works in which language and narrative structure play a key role, revealing his simultaneously aesthetic and political project alongside his view of literary translation as re-creation.

MARIA CATERINA PINCHERLE, Other Voices from the sertão. Reflections on Vidas Secas.
Thanks to a free indirect speech marked by abstract and concise terms, which the thought and language of the characters in Vidas secas would be unable to reproduce, Graciliano Ramos succeeds in bestowing great dignity upon them through an implicitly artic-ulated depiction of their immensely rich and varied inner world. If Riobaldo’s language in Guimarães Rosa’s Grande Sertão con-stantly exceeds normative language to convey an exceptionally profound selfhood, that of Graciliano’s dry lives is described by the author as significantly less elaborate. Yet, their thoughts are rendered through sophisticated choices and lapidary syntheses that, granted to illiterate characters, reveal a vast, inner complex-ity, not unlike that of the educated jagunço in Grande Sertão.

DAVIDSON DINIZ, Clarice Lispector’s Descent into Hades.
This essay aims at investigating the poetics of katabasis (a genre that thematizes the descent into Hades) in Clarice Lispector’s work, through a comparison between the author’s first novel, Perto do coração selvagem (1943), and A paixão segundo G.
H. (1964). This perspective will be extended also to the novels Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (1969) and Água Viva (1973). This essay attempts to understand how Clarice Lispector’s katabasis is removed from classical and medieval con-ceptions of this motif. Unlike those traditions – rooted in a tran-scendentally motivated worldview that was founded on the disso-ciation between the realms of the living and that of the dead – Lispector reconfigures this topos through an immanent and crit-ical view of the world, positioning the katabatic experience with-in a mundane dimension, starting from those legitimizing processes that are typical of modernity.

LUIGIA DE CRESCENZO, “The Body and Its Cruel Demands”: Liberation and “Degradation” in Clarice Lispector’s Writing.
This essay reflects on Clarice Lispector’s social commitment in the works that she published after A paixão segundo G. H. (1964), particularly in Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres (1969) and A via crucis do corpo (1974). This analysis specifically aims at emphasizing metamorphosis in the Brazilian author’s writing. In effect, from a metaphysical-transcendental dimension seemingly performs a ‘descent’ into corporeal materiality, thus breaking up with both the moral and repressive order of military dictatorship and with previous literary forms. In so doing, Lispector proposed a new meaning for existential experience: a meaning that she had shown for the first time in A paixão segundo G. H..


RESÚMENES

LILIA MORITZ SCHWARCZ, Dos o más bandas transatlánticas: los naturalistas y sus guías.
El artículo presenta una visión decolonial del género literario cre-ado por los viajeros naturalistas que estuvieron en el Brasil del siglo XIX. Muestra no solamente la violencia de esas operaciones, que implicaron la constitución de grandes colecciones hoy depo-sitadas en instituciones europeas, sino también el silencio que rodea a los guías que acompañaban a los científicos: verdaderos sabios y especialistas, pero cuyos conocimientos apenas aparecen en los “laterales” de tales libros. El texto presta especial atención a las imágenes diseñadas por los dibujantes que integraron esos grupos, deteniéndose en “detalles” que muestran la presencia de los miembros nativos en la estructura misma de las expediciones.

CHIARA VANGELISTA, Los guías y el viajero. Profesiones y relacio-nes sociales en Jean-Baptiste Debret y Hercule Florence (Brasil, principios del siglo XIX).
Los guías y sus ayudantes, figuras esenciales en las expediciones científicas, se analizan aquí a través de los textos y las imágenes producidos por dos importantes observadores europeos en el Brasil de la primera mitad del siglo XIX, Jean-Baptiste Debret y Hercule Florence, que se han revelado particularmente atentos a los trabajadores de la selva y a sus ocupaciones. Se examinan las descripciones y las representaciones visuales de los guías y de los viajeros a quienes acompañaron; en el caso de Florence se asiste también a la vida cotidiana y se recogen detalles preciosos de los diversos oficios. En síntesis, la confrontación entre el manuscrito de Florence y su traducción por parte del vizconde de Taunay sugiere nuevas hipótesis en torno a la diversa percepción social – europea y brasileña – de las clases subalternas del Brasil.

SILVIANO SANTIAGO, Realismo versus Naturalismo, Machado de Assis y Eça de Queirós: la invención de la narrativa introspectiva moderna en portugués.
Se trata de un fragmento de work in progress que se presenta como ensayo. La intención general es someter las últimas cinco novelas de Machado de Assis (1881-1908) a un análisis que las distingue del modelo canónico flaubertiano de representación del triángulo sexual y amoroso. El escritor brasileño libera la imagi-nación para asociarse a la novela Fanny (1858) de Ernest Feydeau, considerada por Sainte-Beuve como obra literaria supe-rior a Madame Bovary. Liberado del canon occidental, Machado inventa en lengua portuguesa la moderna narrativa introspectiva en plena efervescencia del naturalismo francés y lusitano. No será, pues, gratuita la elección del amante dentro del triángulo. Él será el narrador/protagonista de las Memórias póstumas de Brás Cubas (1881). En el ensayo se destacan (1) el upgrade intelectual que el amante recibe en su caracterización ficcional, (2) observaciones originales sobre la originalidad de la novela machadiana y (3) consideraciones importantes que asocian al escritor, nacido en el Morro do Livramento, a la crítica persuasiva del Brasil imperial, que todavía preserva el sistema esclavista.

GIORGIO DE MARCHIS, Literatura brasileña, ¿y la última clase? La lección de Casa de Pensão.
El artículo presenta una reflexión sobre la enseñanza de la litera-tura brasileña en el extranjero. A partir de interpretaciones críti-cas de la relación entre modelos centrales y escritores periféricos, el autor interpreta la novela Casa de Pensão de Aluísio Azevedo como un posible ejemplo de imitación creativa de la obra queiro-siana O primo Basílio.

EDUARDO F. COUTINHO, Una poética de la investigación y el desa-fío de traducir a Guimarães Rosa.
Reacio a todo lo que se presenta cristalizado por la costumbre e instituido como verdad incuestionable, Guimarães Rosa empren-de en toda su obra una verdadera cruzada a favor de la reflexión, desencadenando, mediante el lenguaje, un fuerte proceso de deconstrucción. Esta reflexión es una de las principales marcas de su quehacer artístico y uno de los aspectos responsables de la unicidad de su estilo. En este ensayo estudiamos algunas obras del autor en las que el lenguaje y la estructura narrativa desempe-ñan un papel central, revelando su proyecto simultáneamente estético y político y su concepción de la traducción como recrea-ción.

MARIA CATERINA PINCHERLE, Otras voces del sertão. Reflexiones sobre Vidas Secas.
Gracias a un discurso indirecto libre, marcado por términos abs-tractos y concisos, imposibles en el pensamiento y en el lenguaje mismo de los personajes de Vidas Secas, Graciliano Ramos logra conferirles una enorme dignidad al retratar su mundo interior, inmensamente rico y variado, aunque no sea expresamente comu-nicado. Si el lenguaje de Riobaldo en Grande Sertão de Guimarães Rosa siempre trasciende la lengua normativa para dar cuenta de una realidad interior muy profunda, el de las vidas secas de Graciliano es descripto por el autor como extremada-mente reducido, pero en realidad se realiza a través de recursos refinados, de síntesis lapidarias, aplicadas a los personajes analfa-betos como un don para ilustrar su riqueza interior, tan amplia y compleja como la del jagunço instruido de Grande Sertão.

DAVIDSON DINIZ, El descenso a los infiernos en Clarice Lispector Este artículo propone una reflexión acerca de la poética de la catábasis (género del descenso al reino infernal de los muertos) en la obra de la escritora Clarice Lispector. En función de eso, cotejamos la novela Perto do coração selvagem (1943), la primera publicada por la autora, con la novela A paixão segundo G. H. (1964), considerando eventualmente la misma cuestión en las novelas Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (1969) y Água Viva (1973). Procuramos de este modo entender cómo la catába-sis lispectoriana abandona las características clásicas y medieva-les, determinadas por una cosmovisión transcendentalista – es decir, disociando el mundo de los muertos del mundo de los vivos – para reelaborarse mediante una perspectiva de cosmovi-sión inmanentista crítica; en síntesis, inscribiendo en una dimen-sión terrenal la experiencia de la catábasis a partir de los procesos de legitimación típicos de la modernidad.

LUIGIA DE CRESCENZO, “El cuerpo y sus crueles exigencias”: libe-ración y “rebajamiento” en la escritura de Clarice Lispector
El estudio propone una reflexión sobre el compromiso manifes-tado por Clarice Lispector en las obras publicadas después de A paixão segundo G. H. (1964), especialmente en Uma aprendiza-gem ou O livro dos prazeres (1969) y A via crucis do corpo (1974). El objetivo del análisis será, principalmente, poner de relieve el cambio en la escritura de la autora, que desde la dimensión meta-físico-trascendental parecería configurar un “descenso” a la materialidad del cuerpo, marcando una ruptura tanto con el orden moral y represivo de la dictadura militar como con la forma literaria previa, e indicando un nuevo sentido para la expe-riencia existencial iniciada en A paixão segundo G. H.

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